A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
Sunday, August 26, 2007
A Família VIP
Andy Warhol tinha razão. Nem é preciso fazer algo importante ou criativo para ser famoso. Basta ser filho de alguém conhecido ou herdeiro de uma cadeia de hotéis. Daí que eu decidi passar a perna nas suas ambições. Aliás, “vamos passar a perna”, pois acabo de convocar minha família para a escalada meteórica do sucesso. Você passou anos queimando a pestana em cursos de pós-graduação? Varou noites para concluir aquele trabalho importante? Gastou o banco da biblioteca com pesquisas quando ainda não existia internet? Cansou sua beleza fazendo média com aquele antipático com poderes para alavancar sua carreira? Sinto muito, mas os próximos quinze minutos serão nossos.
Somos A Família VIP. E não ouse confundir VIP com esnobe. Sabemos como agir em cada situação e o fazemos com elegância, discretos e simpáticos. Eu, minha mulher e nossas duas filhas adolescentes. Não importam os nomes, somos A Família VIP. Quer mais VIP que isso? Somos as pessoas que as outras pessoas gostariam de ser.
Noutro dia fomos vistos entre pessoas anônimas em uma festa popular, a Sagra di Valconasso. Mas para irmos ao show dos Rolling Stones em Roma, só com convite para o camarote de honra. Como qualquer VIP muito bem-educado, agradecemos sempre e achamos normal quando convidados e paparicados por todos. Não somos herdeiros de nada, somos VIP acima de intrigas e da curiosidade alheia. Assim, misteriosos e sorridentes.
Imagine o seu produto associado à nossa imagem num daqueles comerciais sem fala com cenas do nosso quotidiano, que apenas insinuam o uso, como um copo quase vazio, o lap top displicentemente deixado sobre a mesa da piscina, ou um sapato semi-encoberto de neve. Consumimos, com a mesma naturalidade, pratos simples como um tutu à mineira ou ostras francesas – são cruas, não? – e sofisticados, como costine di vitello al tartufo bianco ou salada de salmão com ricota de ovelha defumada. Ficamos em dúvida entre sandálias Havaianas e mocassins italianos. Água de coco e Don Pérignon. Paraty e Portofino.
Portanto, se você pretende divulgar bem o seu evento ou produto, entre em contato com muita antecedência. O verdadeiro VIP tem muito tempo livre na sua agenda, mas pouca disposição para participar de eventos que não sejam exclusivos e evita a super exposição na mídia. Selecionamos onde e quando aparecer. Em contra-partida o seu produto será visto e fotografado quando A Família VIP passear, casualmente, em Portofino, em pleno verão europeu. E guarde muito dinheiro: o cachê d’A Família VIP é o mais alto entre os VIP. Até porque uma garrafa de Don Pérignon em Portofino custa os olhos da cara. Mesmo para um VIP.
Tuesday, August 21, 2007
Fruta da estação - percocca

Um híbrido de pêssego (pesca) e damasco (albicocca), de sabor doce e suave.
É usada para produzir pêssegos em calda.
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Thursday, August 16, 2007
Risotto alla milanese
Comecei Essa é uma
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POST SCRIPTUM
Se você chegou agora e não entendeu o primeiro parágrafo, desculpe. Esqueci de fazer um resumo ou informar que se trata do quinto post de uma série, que deveria esclarecer os internautas que chegam aqui atrás da receita de “arroz piemontez”.
Os posts anteriores são:
Arroz Piemontez
Parmigiano Reggiano, O Rei Dos Queijos
Brodo e soffritto, os segredos de um bom risotto
O Ouro Vermelho Das Arábias
E um post escrito depois, com uma dica essencial:
O segredo de um bom risotto
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Saturday, August 11, 2007
O Ouro Vermelho Das Arábias
Açafrão – do árabe az-za ‘afram. Erva [Crocus sativus] da família das iridáceas, de origem oriental com um bulbo perene. Os estigmas da flor são usados como corante, medicamento e alimento.Assim como os italianos acreditam ser a Sicília o berço de todos os cítricos, muita gente afirma que o açafrão tem origens européias. Confira no seu dicionário. O açafrão foi trazido para a Europa pelos árabes, entre os séculos VIII e X, inicialmente para a Sicília e Espanha. Mas muito antes disso já era usado no Oriente como corante, medicamento e até na embalsamação das múmias egípcias.
Os maiores produtores mundiais são a Índia e o Irã. A produção italiana não passa de 350 quilos anuais, mas a tecnologia europeia para a secagem do produto é superior, assim como o preço. Um quilo de açafrão italiano não sai por menos de 3.500 euros. A coleta ocorre uma vez por ano, no período de outubro a novembro.
Para produzir açafrão é necessário acordar muito cedo, pois as flores devem ser coletadas de madrugada, quando ainda estão fechadas. Todo o trabalho é manual, já que o uso de máquinas danificaria a frágil flor. Não é tarefa aconselhada para quem sofre de problemas na coluna: o plantador de açafrão deve caminhar entre as filas do plantio, abaixar-se, recolher a flor, levantar-se e caminhar até a planta seguinte. 150.000 vezes, que é o número de flores necessárias para produzir um quilo do produto. Depois, precisa separar o pistilo da flor, manualmente, e providenciar a secagem. Nas feiras e mercados italianos encontra-se o açafrão em pistilos inteiros, e não em pó, para evitar adulterações do produto, normalmente em embalagens de meio grama.
Mas o produtor pode se aproveitar o próprio açafrão para combater os males da coleta. A Crocus Sativa possui propriedade tônica, estimula o sistema nervoso e regula o ciclo menstrual. Nesses casos a cautela é boa companheira, basta uma pequena dose para obter os efeitos desejados, mesmo quando usado como corante. Possui, ainda, substâncias antioxidantes, em modo particular os carotenóides. Os laboratórios farmacêuticos produzem sedativos e anti doloríficos com o açafrão.
Mais simples que o açafrão é a produção de midollo. Não, não se trata de miolo de boi, que nossas avós nos faziam comer em um tempo – felizmente – muito longe. No Brasil o chamamos tutano; o miolo do osso. Caso você não more próximo do meu açougueiro, que o vende em embalagens de 50 gramas, compre um osso bucco e recolha o midollo com a ponta de uma faca. Ele entrará na nossa receita no momento do refogado, junto à cebola. Não deixe de adicioná-lo à receita, pois o gosto muda. É só. Fácil, não?
Agora que você já aprendeu um pouco sobre todos os ingredientes, no post seguinte a última parte: a receita do prato mais característico de todo o Centro-norte italiano, o coração econômico dessa península de sabores e segredos.
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Tuesday, August 07, 2007
Brodo e soffritto, os segredos de um bom risotto

O soffritto (
Brodo. Essa é uma
O brodo pode
O brodo deve
- Evite
-
- Considere 90 g de
- Refogue
- Use uma
Estamos
