Friday, June 30, 2006

Sem Tempo

Atum em lata;

Feijão branco (também em lata);

Cebola;

Pimenta do reino;

Limão;

Sal e vinagre;

Azeite extra-virgem de oliva;

Pão;

1 garrafa de Verdicchio ou algumas cervejas.

Corte a cebola em rodelas bem finas; ponha uma panela com água, sal e um pouco de vinagre no fogo. Quando estiver fervendo, adicione toda a cebola, aguarde um minuto e escorra usando uma peneira ou o escorredor de macarrão. Deixe esfriar e misture o atum, o feijão escorrido e tempere com o azeite, o suco de limão e a pimenta do reino. Coma gelado com pão e vinho ou cerveja. E jogue fora as latas.

Thursday, June 22, 2006

Não Adquira os Vícios Locais


Eu sei que ninguém pediu a minha opinião, mas acho que a situação pode ser avaliada sobre outra ótica. Isso não quer dizer que eu possua a solução, é somente o meu ponto de vista. Vejam bem que não estou querendo ser redundante, mesmo concordando com o que a maioria pensa sobre o assunto, mas não posso me eximir evitando me expor. Até porque, cada um é livre de pensar como quiser, portanto ninguém precisa concordar comigo. Eu acho…

– …?

Sobre o que vocês estavam discutindo mesmo? Esqueci…

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A mania que alguns italianos têm de desculpar-se e justificar-se por antecipação é realmente irritante. Tanto quanto de ser agressivo ao extremo, prerrogativa aparentemente reservada a certos jornalistas e alguns VIP. Nãomeio-termo. Existem aqueles que não conseguem emitir a própria opinião sem agregar umtalvez seja somente o meu ponto de vista…” e existem os que agem como donos da verdade.

Ganhar no grito é um hábito cultural longamente cultivado. Quando faltam argumentos ou paciência, a tendência é gritar. E, se confrontados, costumam alegar que tratam todos de forma idêntica. Quem age assim nem percebe o quanto tal afirmação tem de falso. Ninguém trata o padeiro, a própria mãe, o gerente do banco e o policial que saca o talão de multas da mesma forma.

Uma boa regra é: trate a todos como espera ser tratado. Caso seu interlocutor reaja de modo intempestivo, esclareça que é possível adaptar seu comportamento ao dele. Funciona na maioria das vezes.

A arte de gesticular torna o discurso italiano teatral e algum estrangeiro pode sentir-se agredido, mas comer em uma trattoria de Roma em meio ao caos festivo de gestos, gritos, sorrisos e músicas é uma experiência mágica que entusiasma até o mais sóbrio samurai. Contudo, funciona em Roma.

Cada cultura possui seus próprios tabus, certezas, superstições e padrões de comportamento mais ou menos aceitos pela comunidade, mas não vale a pena deixar de se assustar com o hábito local de assoar o nariz em qualquer lugar, inclusive à mesa.

Adapte-se. Mas sem camaleonismos.

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Sunday, June 18, 2006

Virtual Tour

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Divirta-se!

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Wednesday, June 14, 2006

Trancados Em Casa

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Podem definir parte da arquitetura, emoldurando relevos inexistentes, criados pela ilusão das cores...












Bucólicas, às vezes, como só as janelas com flores e grades sabem ser...










Algumas janelas inexistentes também as têm. Será que os moradores existem, do outro lado da janela?







De qualquer forma, raras são as janelas do primeiro andar que não possuem grades.
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Saturday, June 10, 2006

Comunique-se

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Se você vier morar na Itália aprenda, no mais breve tempo possível, o idioma local. Se é difícil ser eloqüente no próprio país, imagine em um país estranho, com uma língua que não é a sua. Boa parte dos italianos têm medo de não entender os estrangeiros, tanto quanto têm medo de deixar-nos perceber que eles não sabem falar inglês. Portanto, se você tiver dificuldade de se comunicar no idioma deles corre o risco de ser preterido e poderá sentir-se marginalizado. Evite a técnica deles quando em viagens pelo mundo: não repita as frases na sua língua de forma pausada num tom mais alto, ou eles continuarão sem entender.

Compre um celular. Italiano adora celular. Alguns têm mais de um, acho que para poder trocar sms consigo mesmo e mostrar aos amigos. Forneça o número do seu celular a todo mundo: mesmo que ninguém lhe telefone, a possibilidade de contactá-lo lhes dá a sensação de poder sobre você e isso o torna mais sociável.

Leia jornais, livros, revistas. Ouça rádio e assista TV. Vá a cybercafé, se você não tiver computador em casa, e acesse os sites do governo. Mantenha-se atualizado sobre o que está acontecendo ao seu redor. preferência aos meios de comunicação locais, pois a queda do governante do outro lado do mundo dificilmente irá afetar o seu dia-a-dia.

Identifique e adote o gestual italiano. É possível conversar sem dizer uma única palavra. Algum turista desavisado pode pensar que se trata de surdos-mudos ou de artistas de rua fazendo mímica, mas o resultado é eficiente.

bom dia a todos. Adicione um belo sorriso quando cumprimentar aquele idoso que lhe franze a testa e jamais irá responder ao seu cumprimento: isso o manterá distante. Mesmo que você entre vinte vezes por dia no escritório da administração, diga sempre um oi. Certos hábitos não têm explicação, devem apenas ser respeitados. E agradeça sempre: a cortesia excessiva é outro desses hábitos. tenha cuidado para não dar bom-dia a cavalo.

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Oi!

Oi.

Senhor Rossi, o departamento comercial pediu para lhe entregar esse envelope

– Deixe-o em cima da mesa, obrigado.

Muito obrigado. O senhor é muito gentil!

– …

Tchau!

– …Tchau…?

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Saturday, June 03, 2006

O Italiano Típico


O italiano médio, essa figura providencialmente inventada para evitar generalizações, é simpático, desconfiado, gozador e falastrão. Auto-confiante e dogmático, ele acredita nas verdades absolutas. As suas verdades. Dono de uma certa ingenuidade frente à miséria no mundo, planeja as férias em países exóticos e vai às discotecas nos fins-de-semana. No Natal, recicla presentes recebidos sem o menor constrangimento.

Italiano adora regras. Quanto mais, melhor. Afinal, se não existissem tantas regras, não se criariam tantas exceções. E este parece ser um esporte nacional: transgredir regras. Aqui, tudo pode ser interpretado. Até mesmo chegar a conclusão que aquela regra não é adequada em determinada situação ou que não se aplica à pessoa. Ou seja: regras são regras, mas cada italiano acredita ser a exceção que as confirma.

Existe um modo italiano muito cortês de falar, usado pela maioria das pessoas quando tratam com um estranho. “O patrão taí?” é uma frase difícil de se ouvir por aqui. Um italiano DOC (da gema) vai dizer: “Por cortesia, me faça falar com o responsável”. Isso não significa que ele nunca o mandará à merda, mas que irá encontrar um modo elegante de fazer isso.

Parece que o ritmo Slow Food tomou conta do modus vivendi desse representante do povo italiano: ele prefere não assumir compromissos mais sérios que viver de forma proveitosa, observando o vai e vem sentado em uma mesa de bar com uma xícara de café, dividindo o mundo entre os “de esquerda” e os “de direita”. O jornal, por que não existe italiano sem jornal, é o que define a sua política. Puxe uma cadeira, peça um café e, com o jornal sobre a mesa, aprenda a observar o vai e vem. Está começando um daqueles espetáculos em que a plateia é o protagonista.

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Marzia abriu um contagiante e sincero sorriso, enquanto desembrulhava com cuidado o pacote que acabara de receber. A satisfação invadiu o ambiente quando ela percebeu que o conjunto de saída de praia e toalha era lindíssimo. Fingira não notar a etiqueta amarelada do Natal do ano anterior com o preço e agradeceu muito. Normalmente ela guardaria o presente com um bilhete lembrando quem a presenteara, mas, naquele caso, deixara tudo displicentemente sobre a poltrona: acabara de achar o que procurava para a amiga que iria conhecer as Ilhas Maldivas. não poderia esquecer de arranjar outra etiqueta discreta com um preço um pouco mais alto.

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