Wednesday, May 31, 2006

Música da Copa

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A Pouco mais de uma semana do início da Copa do Mundo falta o clima. Por mais divertida que seja, a tarantela não é exatamente o fundo musical ideal para o evento. Alguém aí poderia me mandar a música da Copa?

Qualquer uma serve. Aliás, o ideal seria mais de uma para não enjoar.

Grazie!
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Sunday, May 28, 2006

Sabor Rústico

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A polenta, quem diria, não é um prato calórico. Assim como as baianas de acarajé começam a vender seus quitutes a partir da cinco da tarde, em Salvador, os vendedores de angu, no Rio, o fazem depois que o sol se põe. Geralmente quando o tráfego está mais calmo, por volta das nove da noite. Pouca gente teria coragem de comer um prato de angu com miúdos de porco (o tradicional Angu do Gomes) ao meio-dia. A polenta, rica em ferro mas pobre em calorias, fica pesada quando condimentado com gordura animal. É uma receita para as horas mais frescas ou para o período frio do ano. Polenta com javali é cozinha das montanhas e é por isso que eu vivo perto das montanhas. Experimente esta receita.

Polenta con cinghiale al ginepro

(Porção para 4 pessoas)

800 gr. de carne de javali cortado em cubos;

500 gr. de fubá;

40 gr. de farinha de trigo;

30 vagens de zimbro (ou 100 gr. de gengibre, caso não ache o zimbro);

1,5 l. d’água;

1 cubinho de caldo de carne;

Azeite;

1 copo de vinho tinto seco;

1 colher de sal grosso;

1 cebola vermelha (na Itália, use a de Tropea);

Pimenta do reino;

Sal fino.

Dissolva e ferva o caldo de carne em uma panela com a água. Em uma grande caçarola, refogue a cebola em rodelas com as vagens de zimbro (ou o gengibre em fatias finas). Coloque a farinha de trigo com um pouco de pimenta do reino e sal em um saco de papel, junte os pedaços de javali, feche a boca do saco com a mão e agite bem. Retire a carne e coloque-a na caçarola com a cebola e o zimbro, frite bem e acrescente 1 litro do caldo de carne quente, cubra e deixe em fogo muito baixo por pelo menos duas horas. Vá colocando, aos poucos, o resto do caldo de carne quente. Retire a carne, adicione o vinho tinto e deixe o molho reduzir à metade e então devolva o javali à panela. Em um caldeirão de cobre (está na receita original) ferva 1 litro de água e vá juntando o fubá com uma pitada de sal. O fubá deve ser colocado com a mão num efeitochuva”, mexendo com uma colher de pau. Cozinhe em fogo baixo. Quando a polenta estiver consistente (mais ou menos uns 40 minutos) coloque em uma tigela grande e cubra com o javali.

Se quiser variar, faça um molho com bacalhau cozido lentamente em uma frigideira grande com cebola, alho, azeitonas pretas, tomates, um copo de vinho branco e azeite de oliva. O molho deve ficar húmido mas não demasiadamente líqüido. E não torça o nariz: é uma delícia, muito menos calórico que com javali e na região do Veneto é tido como o prato perfeito.

Tenho pensado em me mudar para o Veneto. Será que encontro acarajé por ?

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Wednesday, May 24, 2006

Bodas de Prata

Uns trinta, trinta e dois anos atrás eu o ensinei a tocar flauta doce. Ele gostou da experiência e aprendeu a tocar transversa sozinho. As fotos abaixo têm oito anos de intervalo.



Num vai e vem entre Rio e São Paulo – ora ele, ora eu – escrevi-lhe uma carta na qual incluí uma poesia que saía do forno (é, escrevia poesias num outro filme).






Ele tocava violão nessa época e resolveu musicar aquela poesia, há vinte e cinco anos.




Depois, saiu tocando pelos bares. Inclusive no nosso, em Ilhabela.

O mundo girou e ele virou um percussionista de muito respeito. De vez em quando eu assobio aquela música e tomo uma pelo aniversário dele.


Fome na Mesa

(Allan Robert e Vitor da Trindade)


No mais,

tudo na mesma.

Tudo na mesa

em que o mundo devora

a demora da espera.

Espero que venha

a lenha pro fogo

que logo se apaga.

E se apega a Deus

que logo se cansa.

E morre a esperança

de um dia ter mesa.




Wednesday, May 17, 2006

Pontualidade Italiana

Doutor Rossi, o senhor Bruni acabou de chegar.

? Mas ainda faltam quinze minutos para o horário marcado. Faça-o aguardar. Não podemos dar a impressão de que estamos ansiosos ou à sua disposição. Afinal, esta é uma grande empresa e estamos sempre muito ocupados.

– Acomodei ele na sala de reunião

– Oferece um café, uma água… E avisa que estou terminando de atender uma pessoa.

Ele serviu-se sozinho na máquina de café e recusou a água.

– Vai e avisa que estou terminando de atender uma pessoa.

– Desculpe! Quando ele chegou a porta do seu escritório estava aberta e o Sr. Bruni o viu sozinho, diante do computador

– Diga que é uma vídeo conferência

– …Com o joy stick na mão.

Saturday, May 06, 2006

Eu Que Fiz

Sabe aquele orgulho bobo de ter feito algo com as próprias mãos, mesmo quando o preço, o esforço e a qualidade não compensam? Pois o italiano de hoje perdeu esse tipo de vaidade. O tempo, esse ser abstrato cada vez mais escasso, vem sendo utilizado para coisas essenciais, como o trabalho necessário e o lazer irrenunciável. Tudo o que puder ser feito com economia de tempo terá preferência sobre tradições e tarefas complicadas.

Na véspera de Natal toda a família estará envolvida na produção do tortelli de família, na escolha do vinho produzido por alguém de confiança (que tem sempre um produtor de confiança por perto), na decoração da mesa para o tradicional almoço do dia 25 e nas diversas sobremesas, que esticarão o almoço até às seis, oito da noite. Fora isso, não espere encontrar ninguém com menos de sessenta anos preparando a massa caseira de todo dia. Para comer um pratocomo se fazia antigamente”, o italiano visita a sogra, a tia, a mãe ou a avó, nos finais de semana. Depois, volta para casa lamentando-se da falta de tempo para cozinhar nessa vida moderna, vai ao estádio torcer pelo seu time, sai para comer uma pizza à noite para não perder tempo e termina em uma discoteca ou num bar. Na segunda-feira vai ao supermercado e enche o carrinho com massas e pratos prontos.

Mas se você quer experimentar o prazer de fazer um prato com as próprias mãos para impressionar seus convidados, aqui vai uma receita clássica:

Cannelloni con ricotta e spinaci (4 pessoas):

molho:

1 kg de tomates bem maduros;

Azeite;

1 cebola grande;

1 dente de alho;

1 pitada de pimenta do reino;

1 pitada de açucar;

1 pitada de sal.

Tire a pele e as sementes dos tomates; Em uma frigideira grande, ponha um fio de azeite e a cebola batidinha; junte o alho amassado quando a cebola estiver dourada, espere fritar e junte os tomates, o sal e a pimenta do reino. Abaixe o fogo e deixe cozinhar lentamente. Corrija a acidez do tomate com uma pitada de açucar. Reserve.

molho:

200 gr de manteiga;

3 colheres de sopa de farinha de trigo;

2 copos de leite morno;

Sal;

Noz-moscada.

Em uma panela baixa, ou noutra frigideira, menor que a do molho de tomate, ponha a manteiga e a farinha juntos. Com o fogo baixo, vá mexendo com uma colher de pau. Quando a manteiga enxugar e a farinha começar a dourar, vá adicionando o leite. Não pare de mexer. Antes (grife o “antes”) que o molho engrosse, coloque o sal, a noz-moscada e apague o fogo. Reserve. Ligue para seus convidados e informe que você não terá tempo para achar um vinho branco de qualidade. Após eles se oferecerem para comprá-lo, sugira um Pinot Grigio ou um Verdicchio e informe que você não suporta vinho branco alemão.

Recheio:

1 kg de espinafre;

300 gr de ricota;

2 colheres de manteiga;

1 ovo inteiro e 1 clara em neve;

4 colheres de Parmigiano Reggiano ralado;

Sal.

Corte e jogue fora as raízes do espinafre, lave as folhas e talos diversas vezes. Certifique-se de que toda a terra foi eliminada. Cozinhe com água e sal, deixe esfriar e corte bem fino. Em uma frigideira anti-aderente – onde você arranjou tanta frigideira assim? – coloque a manteiga e o espinafre; deixe reduzir e enxugar, mexendo de vez em quando. Passe o espinafre para uma tigela, junte a ricota amassada, o sal, o queijo ralado e o ovo cru. Misture bem, prove e corrija o sal. Reserve. A clara em neve será usada na montagem do prato.

Massa:

400 gr de farinha de trigo;

2 ovos;

2 colheres de água.

Disponha a farinha formando um pequeno vulcão sobre a mesa, coloque os ovos e a água no meio. Comece misturando com as pontas dos dedos até ganhar consistência, amasse bem para obter uma massa lisa. Abra com o rolo de macarrão (na falta do rolo, use a garrafa vazia do vinho branco alemão você tomou), deixando-a fina e compacta. Corte em quadrados de 10 ou 12 centímetros. Cozinhe em água com sal e um fio de azeite para não grudar, deixando-a ligeiramente crua. Forre a mesa com uma toalha limpa, separe os quadrados de massa deixando-os lado a lado; ajeite o recheio na extremidade da massa; use a toalha para enrolar e formar o cannelloni e aproveite a clara em neve para fechar as pontas. Suma com a garrafa vazia de vinho branco alemão.

Forre o fundo de uma assadeira com manteiga, um pouco do molho de tomate e queijo ralado. Coloque o cannelloni e cubra com o molho de tomate. Espere assentar e cubra com o molho branco. Uma boa dose de queijo ralado deve cobrir todo o prato, antes de levá-lo ao forno pré-aquecido em fogo médio. Quando formar uma pequena crosta dourada, o prato estará pronto para servir.

Quando os seus convidados chegarem com a garrafa de vinho que eles tiveram a maior dificuldade em encontrar, sorria, informe que o prato deve ser servido quente, espere os elogios e diga: “gostaram? Eu que fiz.” E lembre-se de fazer cara feia quando eles retribuírem o jantar com aquele vinho branco alemão de que você tanto gosta.