Monday, November 28, 2005

0º C

O Farnese parece querer fugir da Piazza Cavalli, apesar da luz que a neve lhe empresta.



Quando os meninos saírem da escola...




A princesa passeia sobre a primeira neve do ano.




Topolino.




Agora entendo por que Santo Antonino usava aquela capa.




"Acho que vou fazer uma bola de neve..."




A estátua parece recusar-se ao frio.




...Surpresa!


Friday, November 25, 2005

Carbonara




Caros e Caras,
Paz e saúde!

Diversas são as versões para esta receita de sucesso. Escolha a que mais lhe agradar.

1) Ippolito Cavalcanti, um nobre napolitano, seria o verdadeiro autor, tendo, inclusive, publicado-a em um livro. Sei lá quando.

2) Em 1944, os primeiros soldados americanos chegaram em Roma pedindo aos céus e aos cozinheiros romanos algo além do bacon com ovos (em pó) que eles estavam fartos de comer. Os cozinheiros teriam aproveitado a ração dos soldados – devido à escassez de ingredientes – para inventar a receita preferida das minhas meninas.

3) No início do século dezoito surgiu na França uma sociedade secreta progressista. Era formada, inicialmente, por trabalhadores que produziam carvão nos bosques e o vendiam nas feiras e vilarejos. Teriam sido os carbonari (assim chamados os iniciados da Carboneria) da Umbria a ensinarem a receita às trattorias romanas no século dezenove. É a minha versão favorita.

Outras controvérsias: há quem prepare o spaghetti alla carbonara com creme de leite; quem afirma que se deva usar exclusivamentea bochecha [guanciale] de porco defumada, e não a barriga [pancetta – bacon]; quem usa só o Parmigiano Reggiano ralado e quem o misture em partes iguais ao pecorino ralado, ou quem use só o pecorino; quem defenda o uso do sal grosso na água do macarrão; quem não adiciona a pitada de pimenta do reino à receita, substituindo-a por pimenta seca e quem não usa pimenta nenhuma; quem esmaga um dente de alho, frita-o junto ao guanciale para retirá-lo em seguida; quem usa gema e clara de ovo... Na dúvida, não discuta. Coma. Não uso creme de leite, claras de ovos, alho nem outro produto que não seja o guanciale e somente queijo pecorino maturado - próprio para ralar. A dica das gemas: considere uma gema por pessoa e mais uma para a frigideira. Por exemplo: na receita abaixo uso cinco gemas para quatro pessoas.

Ingredientes para 4 pessoas:
400 g. de spaghetti ;
150 g. de guanciale (ou pancetta ou bacon. O ideal é que seja seco ou apenas ligeiramente defumado);
5 gemas de ovos (o que põe a receita em risco em época de gripe do frango);
100 g. de pecorino ralado (na falta, escolha outro queijo, mas rale na hora);
Sal (fino ou grosso, tanto faz);
1 pitada de pimenta do reino moída na hora



 (Não, o salame cortado e o pedaço de lardo na foto não entram na receita. Apenas acompanhavam a cervejinha do cozinheiro. E, sim, usei pancetta no lugar do guanciale. O carimbo nos ovos? Tipo de criação das galinhas [biológico, aberto, à terra, em gaiolas], local de produção e data de validade, informações exigidas por lei.)

Ponha a água com sal do macarrão no fogo. Coloque o bacon em uma frigideira grande (bem grande) e deixe em fogo baixo. Bata as gemas com o queijo ralado. Apague o fogo da frigideira antes que o guanciale (ou bacon) esteja completamente frito, para reacendê-lo pouco antes de escorrer o macarrão. Deixe o spaghetti ficar ligeiramente cru, antes do ponto ao dente, pois deverá ir para a frigideira em seguida. Escorra o macarrão, junte-o ao guanciale (lembrou-se de acender o fogo da frigideira antes de escorrer o macarrão?), adicione a pimenta do reino e misture. Apague o fogo e adicione as gemas batidas. Costumo saltear na frigideira, mas se você não tem prática, mexa com cuidado, pois a massa deve enxugar um pouco, mas as gemas devem permanecer cruas. Sirva imediatamente e coma em pé, na cozinha (não dá tempo de levar pra mesa). Peça a alguém para servir um copo daquela garrafa de vinho tinto encorpado sobre a mesa, aberta quarenta minutos antes, preferivelmente um Montepulciano d’Abruzzo. Ouça e agradeça os “hummms” dos convivas.

E prepare-se para ser escalado toda vez que a turma se reunir de madrugada: “que tal aquele macarrãozinho…?”

Ciao.

Tuesday, November 22, 2005

Matimônio À Italiana

Caros e Caras,
Paz e saúde!

Engraçado o valor do casamento nos diversos lugares do mundo. Em alguns Países de domínio muçulmano, por exemplo, as mulheres são tratadas como simples objeto para a manutenção da espécie, além de empregada doméstica não remunerada. Na china, nem isso. Ou como diz Guru, um amigo dos tempos de Salvador: “na China a mulher é uma reles!” Assim, sem substantivo. Quando queria se auto menosprezar, dizia: “Eu sou tão reles que não mereço nem substantivo, um reles!” Na Itália as mulheres têm uma outra função no casamento: ser a esposa de alguém. Quem pensa que o brasileiro é machista não tem idéia de como funciona a sociedade italiana.

Creio que o erro, como diria Lewis Carroll, o autor de “Alice no país das maravilhas”, começa no começo, continua pelo meio e termina com o fim do casamento. Mas o problema é que neste caso (o fim do casamento) os problemas só aumentam. Quando duas pessoas de sexo complementar (que essa história de “sexo oposto” parece coisa da Física e não me convence) passam oito, dez anos brigando antes de decidirem se casar, é óbvio que a união não pode dar certo. Elas já gastaram toda a paciência e desperdiçaram as oportunidades de se descobrirem numa vida a dois. Além de levarem consigo os limites a que se impuseram (auxiliado pelos parentes e amigos confidentes) quando cada um tinha uma vida independente do outro.

O instrutor de um curso gastronômico que concluí há algum tempo, nos contava da sua perfeita harmonia afetiva; mesmo após trinta anos de casamento. Explicava-nos que jamais abriu mão do cigarro na cama e que sua mulher é alérgica ao fumo. Desde o primeiro dia de matrimônio dormem em quartos separados e, como os horários são conflitantes, se vêem muito pouco. Calcula que, somando todo o tempo em que permaneceram juntos entre almoços de família, Natais, as visitas noturnas no quarto um do outro e algumas conversas sobre como educar os filhos, não teriam ainda convivido por mais de quatro anos. E nos garante que a esposa é tão feliz quanto ele.

O casamento na Itália é uma convenção. Todos devem se casar! As pessoas vão às discotecas (aqui não existem boites, só discotecas), pubs, festas, restaurantes, praias e em qualquer lugar onde possam ter a chance de encontrar um parceiro ou parceira. Saem com todos que tem oportunidade (são raros os motéis, mas todos têm carro) e, depois dos trinta, ficam desesperados por encontrar alguém que esteja disposto a conviver com um estranho.

Depois de uma certa idade (ou finda a paciência) entregam-se à solidão solidária: aquela dividida com os pais; cada um vivendo a própria vida sob o mesmo teto. A antítese emocional se concretiza em saídas com os amigos para dançar ou jantar nos lugares de sempre; bebedeiras históricas às sextas-feiras; o sermão da mãe aos sábados de manhã; partidas de game boy com os sobrinhos sábado à tarde; a conta astronômica do telefone no final do mês; as visitas intermináveis aos sites pornográficos e a cervejaria aos domingos. Ocasionalmente assistimos a crônica policial informar sobre algum solteirão de quarenta, quarenta e cinco anos que matou os pais, com quem ainda vivia.

Aos felizardos que conseguem encontrar um parceiro ou parceira, resta a felicidade: uma rotina que se resume a pouco mais de demarcar o território de cada um; as férias de verão, onde ela chega uma semana antes com as crianças, para arrumar e limpar o apartamento ao mar, mas também para tomar banho de sol em top less, coisa impensável quando ele chega; ela que controla a economia da casa e a cervejinha dele e ele que reclama da despesa alta com supérfluos; ele que diz à mulher que irá tirar férias no Brasil comigo e ela que diz que fará o mesmo, mas com a minha mulher; ela sai só com as amigas e ele vai jogar futebol ou arranja outra desculpa para também sair sozinho; os dois que se encontram voltando de algum lugar às duas da manhã, na cozinha e terminam de brigar às sete, na sala, para irem trabalhar. Enfim, desencontros cotidianos que constroem as neuroses dos casais italianos, que decidiram viver juntos para discutirem com mais frequência. Ao menos é o que parece...

Enciumados do novo proprietário da filha, logo após o casamento, os zelosos pais têm o hábito de fazer visitas inesperadas noturnas ao jovem casal, logo após o matrimônio. Isso às onze da noite, uma ou duas da manhã! Nessas ocasiões, o marido-genro deve preparar um prato de massa para acalmar a fome do sogro, que é a desculpa utilizada para a “inesperada” reunião familiar. A coisa dura enquanto o sogro houver resistência para o prato, cada vez mais picante, a sogra se convencer da saúde emocional da filha e o estômago do sogro for transformado no caminho para as férias do gastroenterologista de confiança. Três meses após o casamento, os pombinhos ganham a liberdade de poderem brigar em paz.

É óbvio que ninguém se casa se não possuir uma casa antes (esta obviedade não nos é tão clara assim). Uma vez tomada a decisão pela união, compra-se um imóvel. O tamanho dele dependerá da situação social e dos planos imediatos (filhos ou não), mas nunca da situação econômica, pois existem financiamentos de até trinta anos, com juros bem inferiores ao que estamos acostumados nas instituições tupiniquins (ou guaranis, para não parecer preconceituoso). Assim como a reforma, os móveis e o carro pode ser financiado com prazos dilatados e a juros camaradas. Ou seja, é mais fácil se casar por aqui. Então, eu me pergunto: porquê o casamento italiano é uma instituição em desuso? A resposta? Releia os parágrafos anteriores.

E, caso você realmente não consiga entender, olhe-se no espelho e diga: Eu sou um reles! Mas não se preocupe, pois você estará em boa companhia.

Ciao.

Monday, November 21, 2005

Só Para Provocar

Caros e Caras,
Paz e saúde!

Essa semana será cheia de eventos e compromissos. Um burburinho agita os confins artísticos e filosóficos da península. Muitos intelectuais não entenderam e protestaram contra o critério de escolha dos convidados a participar das duas palestras de Marlon Prodt na Itália, promovidas pelo Instituto Italiano de Cultura. Este humilde blogueiro foi dos poucos estrangeiros convidados, merecendo, por isso, uma citação ácida de um famoso crítico de arte local. “Infelizmente” terei que descer até Roma, mas acho que vale a pena. Não tenho certeza, mas, além do crítico de arte e de um bando de intelectuais enciumados, acho que nem todo mundo irá participar.

Informo aos viajantes que o frio já chegou. E que não está para brincadeiras.

Ciao.

Friday, November 18, 2005

Pisando Folhas Secas

Caros e Caras,
Paz e saúde!

Escavações do início do século vinte descobriram grutas ao redor do pico St. Galen, na Suiça, com altares e outras evidências de rituais primitivos praticados pelo Homem de Neanderthal. Segundo a mitologia da Grécia antiga, o poderoso Zeus concebeu uma filha com a deusa Deméter. Deméter veio de Creta para a Sicília e escondeu a filha Perséfone em uma gruta, deixando duas serpentes de guarda enquanto planejava dar a notícia ao poderoso Zeus, que se aproximou da donzela em forma de serpente e com ela concebeu um filho, Dionísio. Hera, a poderosa rainha e esposa ciumenta de Zeus, mandou dois titãs matarem Dionísio. Eles o dilaceraram em sete partes, o cozinharam em um caldeirão e em seguida o assaram em sete espetos, com exceção do coração, resgatado pela deusa Atena. Zeus, sentindo cheiro de carne assada, entrou na caverna e matou os dois titãs. A deusa Atena entregou-lhe o coração em uma cesta e Zeus o engoliu. Em seguida realizou a ressurreição, parindo ele mesmo o filho.

Obedecendo a uma antiga regra, onde toda matéria se transforma, fico imaginando que as folhas deste Outono italiano poderiam ter feito parte de outros Outonos em outros lugares. Elas caem, se decompõem, fermentam, viram adubo que alimentarão outras plantas, que alimentarão outros seres vivos, que entrarão na cadeia alimentar do reino animal, onde carnívoros se alimentam de outros carnívoros e de herbívoros, que se alimentam de plantas, que se alimentaram de carnívoros, herbívoros, vegetais mortos e excrementos. É a vida alimentando-se da morte.

A herança genética da necessidade de acreditar em seres superiores vem de uma época em que ainda não éramos homo sapiens, assim como a ressurreição de filhos de donzelas e deuses já era um argumento utilizado antes do cristianismo. Desde o primeiro ato consciente não instintivo, o homem tornou-se prisioneiro dessa sua capacidade de pensar. Muito tempo passou, desde então, e já nem nos vemos mais como parte integrante do processo que compõe as folhas de Outono. Em breve a neve cobrirá tudo, indiferente aos processos e composições. Indiferente às convicções. A neve tudo cobre, estendendo uma brancura de paz que ilude os olhos e conforta os sentidos, nos impedindo de questionar as próprias convicções por muito tempo.

Vagueando pelas ruas contemplo um evento que se repete todos os anos. Tento aprender com o exemplo e me regenerar com as perdas que caem como folhas secas. Cada perda é uma dor diferente e eu me torno diferente, também. Como diferentes são as folhas: são outras folhas. O que resta é o que conseguimos absorver de outros seres que se vão, assim como iremos nós um dia.

A Primavera trará novas esperanças, novas cores, iniciando um novo ciclo. A neve terá amortecido a dor das feridas e o tempo cuidará de regenerar os espíritos. A força da herança pré-histórica fará seu efeito e reconduzirá o otimismo ao vértice das minhas emoções, como a planta que morre e renasce da própria semente. Com o alternar das estações serei o novo Dionísio. Em Outonos futuros, vou caminhar por outros lugares, esperando reencontrar as folhas que caíram neste outono italiano.

Ciao.

Friday, November 11, 2005

Gian

Caros e Caras,
Paz e saúde!

Queria escrever nesta carta uma homenagem bonita, mas a notícia veio como um soco no estômago. Falta-me ar, sobra-me dor e raiva. O branco da tela do computador esvazia-se para além dos limites e transborda para o cômodo, não importa em que cômodo eu me encontrasse, durante toda a semana.

Naquela segunda-feira eu estava agitado, mas eu estou sempre agitado às segundas-feiras. Talvez estivesse mais agitado que o normal, ou talvez esteja apenas procurando minimizar a perda de uma sensibilidade que me permitia sentir os fatos antes de conhecê-los. Cheguei em casa com dor de cabeça, tomei um banho, jantei, dei um beijo nas minhas meninas e dormi como em poucas ocasiões. Um sono profundo como um desbafo, como quem se recupera da batalha perdida. Mas não acordei melhor. Talvez fosse o eco da segunda-feira agitada, talvez um resíduo da sensibilidade.

Esperávamos por uma sua visita ainda neste outono italiano. Há muito decidíramos o cardápio do jantar, que incluiria muitas iguarias locais e um risotto ai funghi, prato piemontês como aquele mascalzone juventino. Mas ele não virá. Nem pelo risoto, nem pela sua Juve, nem por mim. Acho que ele acreditava poder fazer-me uma surpresa e viria sem me avisar, como sempre. Mas o coração o traiu e ele não virá. Nunca mais. Justo aquele coração grande e franco, que acolhia a todos como os muitos cães recolhidos pela rua.

Quando escrevo minhas cartas, penso sempre na reação dos amigos. Algumas vezes decidi evitar determinado assunto para não correr o risco de magoá-lo. Ele que há anos fez o caminho inverso, de Turim a Salvador. Ele, impaciente, contraditório, gozador, com o pavio mais curto que eu já ví, às vezes extravagante, às vezes discreto, centro das atenções e cheio de ironia. Enfim, uma pessoa decididamente marcante e adorável.

Drummond escreveu ter-se descoberto velho quando não encontrou mais ninguém que o conhecera criança. Eu sempre desejei morrer antes da minha família, o que obrigará meus pais, irmãos, esposa e filhas à quase eternidade, já que pretendo viver muito, ainda. Pois bem, acabo de descobrir que também os amigos terão que sobreviver. Dêem um jeito, eu não suporto certas perdas. Nem são tantos amigos assim. Tenho bons amigos, não muitos. De que adianta viver intensamente se não houver com quem dividir? Dêem um jeito de sobreviver.

Será difícil não poder dividir com ele o cotidiano, as novas aventuras. Tento me convencer de que poucas pessoas tiveram uma vida tão plena como a que ele escolheu viver e construiu; tento me convencer que o tempo irá curar também esta ferida, e que, felizmente, ele não sofreu. Mas a realidade é que Salvador fica menos atrativa sem ele.

Me perco. Não consigo organizar as idéias em meio a tantas lembranças, tantas situações divididas e nem tenho vontade de escrever: queria apenas que ele soubesse que nós esperávamos uma sua visita. Não haverá jantar. Só o consolo infantil de estar entre os muitos que um dia ele chamou de amigo.

Ciao.

Saturday, November 05, 2005

Cores De Outono

Caros e Caras,
Paz e saúde!

O Passeio Público fica a uns cinqüenta metros de casa. É uma rua fechada ao trânsito, utilizada como área de lazer. Normalmente é cheia de gente, bicicletas, cães, patins e crianças que brincam sob olhares tranqüilos. Os muitos bancos estão sempre ocupados por idosos ou casais. É uma parte viva e agradável da cidade. Mas não no dia de Finados (que aqui não é comemorado, ao contrário do Dia de Todos os Santos, 1º de novembro, este sim, feriado na Itália). Não a uma da tarde, depois da chuva fria de outono. A essa hora poucas pessoas caminham sobre as folhas secas. E poucos são os pombos.

(Informo que, atendendo a pedidos, em breve estarei fornecendo a receita da massa à carbonara, correndo o risco de transformar este blog em um espaço gastronômico.)

Ciao.















Tuesday, November 01, 2005

Aglio, Olio e Peperoncino

Caros e Caras,

Paz e saúde!

Os italianos acreditam-se melhores cozinheiros que os franceses. Os franceses fingem ignorar o sucesso da cozinha italiana no mundo. Minha mãe foi proprietária de restaurante francês e de restaurante italiano. Posso opinar sem medo de ferir egos: o melhor prato é aquele que está ao meu alcance.

Não tenho certeza, mas creio ter dado esta receita antes. Não tive paciência de vasculhar entre as cartas antigas e resolvi arriscar. Quem a pediu que aproveite. Como sempre, a receita vem incompleta. As quantidades não chegam a fazer diferença. Use o seu instinto. E faça um segundo prato à base de carne.

Spaguetti número 5 (se achar, use o Barilla);

Salsinha fresca batidinha;

Pimenta seca (no Brasil, use a malagueta. Na Itália, a calabresa);

Azeite extra virgem de oliva;

Alho;

Sal;

1 Garrafa de um bom vinho.

Corte o alho em pedaços grandes e coloque-o em um tigela; corte em pedaços pequenos a pimenta, junte-a ao alho, adicione o azeite e deixe descansar por uma hora. Ponha a água para ferver em uma panela grande com um pouco de sal (há quem prefira colocar o sal depois, para não manchar a panela, mas eu o coloco antes). Quando a água estiver fervendo, coloque a massa e não mexa no primeiro minuto. Deixe cozinhar até o ponto ao dente. Escorra o macarrão rapidamente (nada de água fria para quebrar a fervura) e junte-o ao azeite com alho e pimenta. Adicione a salsinha, misture e sirva em seguida. Como o alho estará cortado em pedaços grandes, ficará fácil separá-lo no prato.

O truque é não levar ao fogo, em momento algum, o azeite com a pimenta, o alho e a salsinha. Esses ingredientes devem permanecer crus. Outra dicaque não me canso de repetir – é o ponto da massa: retire-a do fogo quando ainda estiver ligeiramente crua, pois o calor da própria massa irá deixá-la no ponto certo no momento de comê-la. E, por último: nunca, mas nunca mesmo, sirva um prato francês após uma massa como essa. Apesar de vizinhos, franceses e italianos iriam se ofender.

O vinho? Bom, se você ainda não aprendeu o que fazer com a garrafa de vinho sugerida entre os ingredientes, esqueça tudo e vá comer no Mac Donald’s. Você merece.


Ciao.