Caros e Caras,
Paz e saúde!
Salvador, Bahia. Uma noite qualquer de Agosto. Dois amigos conversam:
- Rapaz, tá frio…
- E mesmo! E aí...?
- Uma cervejinha…?
- Vamonessa meu rei! Mas, gelada, hein…?
Meus amigos italianos sempre dizem: “o bom de viver num país tropical é poder imaginar a neve como uma coisa romântica”. Uma estação de esqui é produzida para receber hóspedes e provocar neles aquela sensação de conforto que só o cinema consegue transmitir. Fora dali e com exceção dos esquiadores na “semana branca” (semana de férias nas montanhas, na neve) e de nós, estrangeiros, será difícil encontrar algum italiano que realmente goste de neve. Quer dizer, sabemos de quinze pessoas, mas estão sob tratamento e os médicos têm esperanças. Os outros, não se cansam de afirmar que a neve provoca uma forte emoção em dois momentos: quando chega e quando vai embora. Ou, como se diz por essas bandas, deveria ser uma visita (“visita é como morto: no terceiro dia começa a feder”). O único lado positivo que conseguem enxergar é o renascimento das coisas com o fim do inverno.
Como me falta a endocultura da neve, me divirto e observo as mutações. Nas ruas, as roupas começam a ganhar novas cores. Os casacos pesados e escuros voltam para o fundo dos armários e as lojas exibem nas vitrines a moda que as pessoas começam freneticamente a comprar. A Caritas (lê-se Cáritas) fica entupida com a roupa de inverno doada. Até o humor das pessoas se transforma e o bom-dia da balconista do café já me parece ser espontâneo. As pessoas já se aventuram, timidamente, a retirar as bicicletas do porão.
A maior mudança está no ar. Sente-se a nova estação como uma sensação qualquer (frio ou fome, por exemplo) e os olhos captam todos os sinais do novo clima. A árvore seca começa a dar sinais do verde que em breve a cobrirá; o que era um pedaço de terra cinza já está coberto por uma grama verde nova e pequenas flores brancas ou amarelas, formando verdadeiros tapetes coloridos. As tulipas, com suas cores em tons idênticos que chegam a parecer sintéticas, tomam conta dos jardins e praças públicas, reinando ainda sozinhas num anúncio do que está por vir. São iguais na forma, cor e tamanho e invadem também os pequenos quintais das casas, onde antes tinha a neve.
Pieguices à parte, é realmente impressionante o espetáculo! As tulipas só florescem uma vez por ano, por poucos dias e todas ao mesmo tempo (ainda faz frio!). O resto do ano o bulbo descansa e economiza as forças sob a sombra de alguma outra planta, que neste período ainda não saiu da letargia invernal e permite que a tulipa capte todas as atenções. A mesma letargia que atinge o ânimo das pessoas. Mas um frenesí já ameaça despontar...
Com a chegada da primavera começa-se a pensar no verão. E nas férias de verão, que não duram mais de quinze dias, pois o verão é curto e as férias são divididas em semanas. Um trabalhador acumula 2,6 dias de férias por mês e, no momento em que completa uma semana de férias, pode gozá-la. Como a prioridade das férias de verão vai para os que possuem mais férias acumuladas e os mais antigos na empresa, ninguém espera muito para fazer uma semana no Caribe ou em algum lugar quente durante o inverno. Basta planejar e reservar antes. E eles são bons nisso também (planejar e reservar férias).
Eles sonham tanto com um país tropical que perdem a oportunidade de sentir prazer com o próprio clima. Não tenham dúvidas de que eu morro de saudades daquele inverno quente de Salvador, regado a cervejinha gelada e acarajé quente. Mas a Primavera aqui tem algo de especial, além das alergias provocadas pelas toneladas de pólen despejadas no ar. As Noites frescas e curtas, os dias ensolarados sem serem exatamente quentes e o festival de cores provocado por todas as plantas que devem, desesperadamente, reproduzir-se num curtíssimo período. Pássaros e milhões de borboletas por todo lado e flores, muitas flores. O perfume delas chega a ser agressivo nos campos.
Os agricultores trabalham dia e noite e fazem, na nossa região – produtora dos queijos Grana Padano e Parmigiano Reggiano e, portanto, de muito leite – enormes rolos de feno (e bota enorme nisso!). Os mercados ganham o cheiro das frutas frescas e legumes de todos os tipos e cores enriquecem as mesas, tornando os pratos mais leves. Massas com legumes na manteiga e o inconfundível perfume do manjericão tornam-se obrigatórios no almoço, trocando de lugar com os pratos à base de molhos e carnes. Aprendemos a comer legumes de maneira como jamais havíamos pensado. E gostamos!
Como já deixei claro, a nossa cultura e hábitos antigos nos fazem falta. Tomar cerveja estupidamente gelada no inverno é perigoso por essas bandas, mas vamos nos deliciando com as novidades. Minha filha reclama que aqui não existe xuxu, mas as opções entre legumes e verduras desconhecidos no Brasil, não justifica esse tipo de cobrança, até porque, xuxu… Mas ela tem apenas dez anos e devora toneladas de vegetais por semana (o que é impensável no Brasil). Assim, decidimos não levar a sério as reclamações dela.
Para onde quer que andemos, sentiremos saudade daquilo que deixamos para trás. De qualquer modo, a grama do vizinho é sempre mais verde, mas nessa época do ano, a grama daqui é mais verde e nova que em qualquer outro lugar.
Ciao.
A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
Thursday, April 28, 2005
Monday, April 25, 2005
Ops!
Comentário do post abaixo:
"Allan,
Eu tb molhei as calças de tanto rir lendo o seu texto. Normalmente vc usa uma ironia sutil q poucos conseguem captar, dessa vez vc foi cínico e sarcástico. Colocar o presidente Ciampi como a rainha da Inglaterra mostra perfeitamente a inutilidade do cargo; confundir esquerda com direita é um clássico italiano; oferecer gato por lebre, – o vinho vagabundo – também; falácia não enche barriga. Vc mostrou ser capaz de manobrar sua indignação como poucos, enchendo seu texto de situações q expõem o ridículo da pantomímica política italiana. Parabéns!
Mas tem um porém: ficou parecendo papo de comadre. Quem não tiver intimidade com a realidade italiana não irá entender a ironia. Vc deveria ter deixado algumas dicas para q o leitor entendesse q a viagem a Milão não aconteceu, q vc não foi ao Scala, mas q a reeleição do Berlusconi foi real como vc detalhou. O risco, agora, é q os seus leitores (acostumados com o seu lirismo) entendam a cena como verídica. Pior: q eles pensem q a dona Eloá seja uma mulher de cutucões e q eles acreditem q um gentleman como vc realmente tenha ido ao Scala de camiseta! Fica a dica.
Abração,
Diogo."
Putz!
"Allan,
Eu tb molhei as calças de tanto rir lendo o seu texto. Normalmente vc usa uma ironia sutil q poucos conseguem captar, dessa vez vc foi cínico e sarcástico. Colocar o presidente Ciampi como a rainha da Inglaterra mostra perfeitamente a inutilidade do cargo; confundir esquerda com direita é um clássico italiano; oferecer gato por lebre, – o vinho vagabundo – também; falácia não enche barriga. Vc mostrou ser capaz de manobrar sua indignação como poucos, enchendo seu texto de situações q expõem o ridículo da pantomímica política italiana. Parabéns!
Mas tem um porém: ficou parecendo papo de comadre. Quem não tiver intimidade com a realidade italiana não irá entender a ironia. Vc deveria ter deixado algumas dicas para q o leitor entendesse q a viagem a Milão não aconteceu, q vc não foi ao Scala, mas q a reeleição do Berlusconi foi real como vc detalhou. O risco, agora, é q os seus leitores (acostumados com o seu lirismo) entendam a cena como verídica. Pior: q eles pensem q a dona Eloá seja uma mulher de cutucões e q eles acreditem q um gentleman como vc realmente tenha ido ao Scala de camiseta! Fica a dica.
Abração,
Diogo."
Putz!
Marcadores:
eu mesmo
Sunday, April 24, 2005
Opera Buffa
Caros e Caras,
Paz e saúde!
Primavera em conflito. Faltam o calor, o pólen e o frenesi dessa época.
Vamos de carro até a estação. De lá, pegamos o trem para Milão. São cinqüenta minutos de uma viagem entre vilarejos espalhados pelos campos da Lombardia. Na Estação Central, um prédio belo e frio, pegamos o metrô rumo ao centro da cidade. Descemos na estação Duomo, subimos as escadas que nos leva à Piazza Duomo e nos defrontamos com a catedral de Milão, ainda empacotada para as reformas externas. Olhamos à esquerda e observamos por alguns instantes a galeria Vitorio Emanuelle II, com seu ar pomposo e suas lojas caras. Entramos, tomamos um café e caminhamos na direção oposta à praça. No meio da galeria, no cruzamento entre as duas alas, algumas pessoas giram sobre o Saco do Touro, figura em mármore no piso que, segundo a lenda, traz sorte a quem dá uma volta completa com o calcanhar sobre o saco do pobre animal. Rimos, afinal não acreditamos em superstições e atravessamos o resto da galeria. À saída, distante apenas alguns metros da Duomo, está a praça que abriga o Scala, nosso objetivo. Antes de entrarmos no teatro ainda temos tempo para uma parada em frente à estátua de Leonardo (aquele…), que nos observa a todos com um ar grave.
Durante o velório do Papa a Proteção Civil enviou mensagens a todos os celulares solicitando evitar visitas a Roma, tamanha era a multidão que entupiu a capital italiana para um último adeus. Da mesma forma, o governo mandou-nos, via correio, os convites para assistir a uma peça no reformado teatro (país do primeiro mundo que se preza utiliza-se de modernos meios para comunicar-se com os cidadãos). A peça se chamava Pão e Circo e haveria uma única apresentação. Nós não tínhamos a menor idéia do que nos aguardava, mas a possibilidade de visitar o novo teatro nos convenceu da empreitada. Grátis, então…
Dentro do majestoso teatro uma enorme tenda cobria toda a paltéia, dando-nos a impressão de estarmos dentro de um circo. Um grupo de policiais controlava os convites e indicava os lugares numerados. Quando o policial pediu meu documento para verificar o nome impresso no convite assustou-se com o fato de eu ser estrangeiro e deixou escapar: “mas o senhor não vota…”. Como o nome no convite era o meu, ele não teve alternativa senão deixar-me entrar. Mas, por segurança, revistou-me. Sentamos ao lado de um casal idoso. Todos numa elegância digna de uma estreia do Teatro Scala. A Eloá cutucou-me com o cotovelo e cochichou-me um “viu?”. A senhora ao lado observou com desdém minha camiseta da seleção e disparou num italiano com forte sotaque milanês: “o senhor votou no Lula?”. Lembrei a ela que o voto é secreto, direito do qual não abro mão. Jurei à Eloá que da próxima vez aceito a opinião quanto a roupa, mas aleguei que no convite estava escrito “traje esportivo”.
No palco, abrem-se as cortinas e deparamos com uma pequena multidão que finge dormir em pé, enquanto o mestre de cerimônias explica que a peça será muito divertida e que valerá cada tostão que iremos pagar. Um segundo cutucão seguido de outro “viu?”. Me defendo esclarecendo que o convite informava a gratuidade do evento e que entramos sem pagar. A senhora ao lado esclarece que pagaremos, mas que eu ainda sou muito novo para entender essas coisas. Os atores se dividem em dois grupos, ocupando os lados do palco e deixando o centro vazio. Aqueles à esquerda gritam em coro: “somos a direita!”. Os da direita respondem: “…e nós, somos a esquerda!”. Um ator, vestido de rainha da Inglaterra, dirige-se ao centro do palco, chama o líder da direita, que se encontra à esquerda e, num discurso grave e pausado, esclarece que devido aos resultados das últimas eleições regionais, quando os eleitores deram um forte sinal de insatisfação elegendo uma incontestável maioria da oposição, urge uma ação para tirar o país da crise de governabilidade. O primeiro-ministro responde: “Não renuncio, não renuncio e não renuncio!”. O diálogo prossegue com o apoio entusiasmado de todos os outros personagens. Somente um, à esquerda (e, portanto, da direita) não se manifesta: está sentado em uma cadeira de rodas, com um ar de quem sofreu um derrame. Gesticula, balbucia, mas a confusão impede de senti-lo. No meio do palco alguém sussurra as falas, nem sempre compreendidas por causa do sotaque americano e do péssimo italiano do ponto, escondido sob o palco.
Moças e rapazes começam a distribuir copos de vinho, afirmando ser de excelente qualidade. Eu aceito, provo e sentencio: delicioso! A Eloá agradece e recusa. Eu insisto e ela me devolve um olhar de censura. Pego o copo dela e agradeço. Outro cutucão. Dessa vez, silencioso. A fome começa a dar sinal, mas evito comentar com medo de outra cutucada.
A peça se desenrola num clima de confusão. O primeiro-ministro insiste em não renunciar, apesar da opinião contrária dos próprios correligionários. Parece um menino que se recusa a devolver o brinquedo do amigo. A platéia ri o tempo todo. O vinho continua a ser distribuído, mas o vazio do meu estômago o faz ecoar no cérebro. A esquerda se revolta e passa a xingar o primeiro-ministro. Um personagem que tentava acalmar a esquerda pega uma bandeira e começa a correr de um lado para o outro do palco. A bandeira tem um lado vermelho e outro azul. Um parlamentar da esquerda e dois da direita formam uma pequena fila atrás dele, trotando pra lá e pra cá. A direita pede ajuda ao público para conter a esquerda. Algumas pessoas aceitam o convite e recolhem a lona sobre a platéia, formam um grande saco e tentam enfiar a esquerda ali dentro. Os de esquerda que conseguem escapar ajudam a fechar a boca do saco, dão pontapés nos que estão dentro e acusam a direita. O saco reage chamando a direita de facista. O público delira, o quinto copo de vinho é servido e eu noto que não é tão bom assim. A fome aumenta. O sujeito da bandeira pára no centro do palco e sugere formar um único partido, de centro. Os da direita ficam indecisos, olham para o da cadeira de rodas que gesticula negativamente. A rainha da Inglaterra pede o fim do impasse mas o primeiro-ministro não cede. O da bandeira esclarece que havendo um único partido as brigas terminariam, pois todos seriam governo. O saco grita: “governo, jamais!”. Ele ainda tenta convencer alegando ter o símbolo justo e mostra um broche com um tucano. O primeiro-ministro pergunta porque o tucano e ele responde que é um bicho que agrada a todos. Eu, a Eloá e outras seis pessoas damos uma sonora gargalhada. O público ri em seguida. A senhora ao lado pergunta o porquê e eu explico que ela é italiana demais para entender. O ponto move os braços energicamente e fala: “the another one!”. O da bandeira olha, gesticula e pede a tradução. Alguém grita: “o outro!”. Ele enfia o tucano no bolso e tira outro broche, com uma lagartixa. O primeiro-ministro questiona o porquê da lagartixa e ele esclarece que a lagartixa, ficando em cima do muro, tem a sabedoria de olhar os dois lados. A platéia chora de rir.
Numa última tentativa, a rainha da Inglaterra esclarece ao primeiro-ministro que se ele renunciar poderá continuar no cargo, apresentando um novo plano de governo e substituindo apenas um ou dois ministros. Um sujeito próximo a nós não consegue chegar ao banheiro e molha as calças de tanto rir. O primeiro-ministro gosta da idéia e se consulta com os aliados. Os da esquerda partem para cima do saco com socos e pontapés, que responde xingando a direita. A bandeira volta a correr. O primeiro-ministro faz um discurso dizendo que renuncia em nome do povo mas caso permanecesse no cargo iria promover profundas mudanças. O saco reage, dizendo que ele irá trair os que votaram nele. Mesmo assim ele renuncia. A rainha da Inglaterra aceita mas o convida a permanecer no cargo para tocar as reformas de que o país tanto precisa. No discurso de posse, o primeiro-ministro informa que manterá a atual política e que o país vai bem, obrigado. O saco o chama de traidor da pátria e o acusa de quebrar a promessa de mudanças que acabara de fazer. Ele dá o troco chamando-os de eternos insatisfeitos. A situação permanece a mesma mas o protocolo fora seguida. A crise de governabilidade chegara ao fim.
Um último copo de vinho é servido, mas não vai além do primeiro gole. O saco é aberto e todos entram nele. O da cadeira de rodas tenta reagir quando o empurram dentro do saco. Uma mão permanece fora do saco, movimentando a bandeira. Ouve-se um brinde ao novo governo, risadas e o hino nacional. Fecham-se as cortinas. O público ainda ri quando saímos. Fora, um nauseante cheiro de pizza afugenta a fome e faz minha cabeça rodar ainda mais, vítima que fui daquele vinho vagabundo. Olho para trás e vejo que alguns começam a vomitar. Nos dirigimos à Piazza Duomo para o metrô e depois o trem. Antes, uma última olhada à estátua de Leonardo que, percebo, tem um leve sorriso no canto da boca. Na dúvida, damos uma volta sobre o saco do touro.
Ciao.
Paz e saúde!
Primavera em conflito. Faltam o calor, o pólen e o frenesi dessa época.
Vamos de carro até a estação. De lá, pegamos o trem para Milão. São cinqüenta minutos de uma viagem entre vilarejos espalhados pelos campos da Lombardia. Na Estação Central, um prédio belo e frio, pegamos o metrô rumo ao centro da cidade. Descemos na estação Duomo, subimos as escadas que nos leva à Piazza Duomo e nos defrontamos com a catedral de Milão, ainda empacotada para as reformas externas. Olhamos à esquerda e observamos por alguns instantes a galeria Vitorio Emanuelle II, com seu ar pomposo e suas lojas caras. Entramos, tomamos um café e caminhamos na direção oposta à praça. No meio da galeria, no cruzamento entre as duas alas, algumas pessoas giram sobre o Saco do Touro, figura em mármore no piso que, segundo a lenda, traz sorte a quem dá uma volta completa com o calcanhar sobre o saco do pobre animal. Rimos, afinal não acreditamos em superstições e atravessamos o resto da galeria. À saída, distante apenas alguns metros da Duomo, está a praça que abriga o Scala, nosso objetivo. Antes de entrarmos no teatro ainda temos tempo para uma parada em frente à estátua de Leonardo (aquele…), que nos observa a todos com um ar grave.
Durante o velório do Papa a Proteção Civil enviou mensagens a todos os celulares solicitando evitar visitas a Roma, tamanha era a multidão que entupiu a capital italiana para um último adeus. Da mesma forma, o governo mandou-nos, via correio, os convites para assistir a uma peça no reformado teatro (país do primeiro mundo que se preza utiliza-se de modernos meios para comunicar-se com os cidadãos). A peça se chamava Pão e Circo e haveria uma única apresentação. Nós não tínhamos a menor idéia do que nos aguardava, mas a possibilidade de visitar o novo teatro nos convenceu da empreitada. Grátis, então…
Dentro do majestoso teatro uma enorme tenda cobria toda a paltéia, dando-nos a impressão de estarmos dentro de um circo. Um grupo de policiais controlava os convites e indicava os lugares numerados. Quando o policial pediu meu documento para verificar o nome impresso no convite assustou-se com o fato de eu ser estrangeiro e deixou escapar: “mas o senhor não vota…”. Como o nome no convite era o meu, ele não teve alternativa senão deixar-me entrar. Mas, por segurança, revistou-me. Sentamos ao lado de um casal idoso. Todos numa elegância digna de uma estreia do Teatro Scala. A Eloá cutucou-me com o cotovelo e cochichou-me um “viu?”. A senhora ao lado observou com desdém minha camiseta da seleção e disparou num italiano com forte sotaque milanês: “o senhor votou no Lula?”. Lembrei a ela que o voto é secreto, direito do qual não abro mão. Jurei à Eloá que da próxima vez aceito a opinião quanto a roupa, mas aleguei que no convite estava escrito “traje esportivo”.
No palco, abrem-se as cortinas e deparamos com uma pequena multidão que finge dormir em pé, enquanto o mestre de cerimônias explica que a peça será muito divertida e que valerá cada tostão que iremos pagar. Um segundo cutucão seguido de outro “viu?”. Me defendo esclarecendo que o convite informava a gratuidade do evento e que entramos sem pagar. A senhora ao lado esclarece que pagaremos, mas que eu ainda sou muito novo para entender essas coisas. Os atores se dividem em dois grupos, ocupando os lados do palco e deixando o centro vazio. Aqueles à esquerda gritam em coro: “somos a direita!”. Os da direita respondem: “…e nós, somos a esquerda!”. Um ator, vestido de rainha da Inglaterra, dirige-se ao centro do palco, chama o líder da direita, que se encontra à esquerda e, num discurso grave e pausado, esclarece que devido aos resultados das últimas eleições regionais, quando os eleitores deram um forte sinal de insatisfação elegendo uma incontestável maioria da oposição, urge uma ação para tirar o país da crise de governabilidade. O primeiro-ministro responde: “Não renuncio, não renuncio e não renuncio!”. O diálogo prossegue com o apoio entusiasmado de todos os outros personagens. Somente um, à esquerda (e, portanto, da direita) não se manifesta: está sentado em uma cadeira de rodas, com um ar de quem sofreu um derrame. Gesticula, balbucia, mas a confusão impede de senti-lo. No meio do palco alguém sussurra as falas, nem sempre compreendidas por causa do sotaque americano e do péssimo italiano do ponto, escondido sob o palco.
Moças e rapazes começam a distribuir copos de vinho, afirmando ser de excelente qualidade. Eu aceito, provo e sentencio: delicioso! A Eloá agradece e recusa. Eu insisto e ela me devolve um olhar de censura. Pego o copo dela e agradeço. Outro cutucão. Dessa vez, silencioso. A fome começa a dar sinal, mas evito comentar com medo de outra cutucada.
A peça se desenrola num clima de confusão. O primeiro-ministro insiste em não renunciar, apesar da opinião contrária dos próprios correligionários. Parece um menino que se recusa a devolver o brinquedo do amigo. A platéia ri o tempo todo. O vinho continua a ser distribuído, mas o vazio do meu estômago o faz ecoar no cérebro. A esquerda se revolta e passa a xingar o primeiro-ministro. Um personagem que tentava acalmar a esquerda pega uma bandeira e começa a correr de um lado para o outro do palco. A bandeira tem um lado vermelho e outro azul. Um parlamentar da esquerda e dois da direita formam uma pequena fila atrás dele, trotando pra lá e pra cá. A direita pede ajuda ao público para conter a esquerda. Algumas pessoas aceitam o convite e recolhem a lona sobre a platéia, formam um grande saco e tentam enfiar a esquerda ali dentro. Os de esquerda que conseguem escapar ajudam a fechar a boca do saco, dão pontapés nos que estão dentro e acusam a direita. O saco reage chamando a direita de facista. O público delira, o quinto copo de vinho é servido e eu noto que não é tão bom assim. A fome aumenta. O sujeito da bandeira pára no centro do palco e sugere formar um único partido, de centro. Os da direita ficam indecisos, olham para o da cadeira de rodas que gesticula negativamente. A rainha da Inglaterra pede o fim do impasse mas o primeiro-ministro não cede. O da bandeira esclarece que havendo um único partido as brigas terminariam, pois todos seriam governo. O saco grita: “governo, jamais!”. Ele ainda tenta convencer alegando ter o símbolo justo e mostra um broche com um tucano. O primeiro-ministro pergunta porque o tucano e ele responde que é um bicho que agrada a todos. Eu, a Eloá e outras seis pessoas damos uma sonora gargalhada. O público ri em seguida. A senhora ao lado pergunta o porquê e eu explico que ela é italiana demais para entender. O ponto move os braços energicamente e fala: “the another one!”. O da bandeira olha, gesticula e pede a tradução. Alguém grita: “o outro!”. Ele enfia o tucano no bolso e tira outro broche, com uma lagartixa. O primeiro-ministro questiona o porquê da lagartixa e ele esclarece que a lagartixa, ficando em cima do muro, tem a sabedoria de olhar os dois lados. A platéia chora de rir.
Numa última tentativa, a rainha da Inglaterra esclarece ao primeiro-ministro que se ele renunciar poderá continuar no cargo, apresentando um novo plano de governo e substituindo apenas um ou dois ministros. Um sujeito próximo a nós não consegue chegar ao banheiro e molha as calças de tanto rir. O primeiro-ministro gosta da idéia e se consulta com os aliados. Os da esquerda partem para cima do saco com socos e pontapés, que responde xingando a direita. A bandeira volta a correr. O primeiro-ministro faz um discurso dizendo que renuncia em nome do povo mas caso permanecesse no cargo iria promover profundas mudanças. O saco reage, dizendo que ele irá trair os que votaram nele. Mesmo assim ele renuncia. A rainha da Inglaterra aceita mas o convida a permanecer no cargo para tocar as reformas de que o país tanto precisa. No discurso de posse, o primeiro-ministro informa que manterá a atual política e que o país vai bem, obrigado. O saco o chama de traidor da pátria e o acusa de quebrar a promessa de mudanças que acabara de fazer. Ele dá o troco chamando-os de eternos insatisfeitos. A situação permanece a mesma mas o protocolo fora seguida. A crise de governabilidade chegara ao fim.
Um último copo de vinho é servido, mas não vai além do primeiro gole. O saco é aberto e todos entram nele. O da cadeira de rodas tenta reagir quando o empurram dentro do saco. Uma mão permanece fora do saco, movimentando a bandeira. Ouve-se um brinde ao novo governo, risadas e o hino nacional. Fecham-se as cortinas. O público ainda ri quando saímos. Fora, um nauseante cheiro de pizza afugenta a fome e faz minha cabeça rodar ainda mais, vítima que fui daquele vinho vagabundo. Olho para trás e vejo que alguns começam a vomitar. Nos dirigimos à Piazza Duomo para o metrô e depois o trem. Antes, uma última olhada à estátua de Leonardo que, percebo, tem um leve sorriso no canto da boca. Na dúvida, damos uma volta sobre o saco do touro.
Ciao.
Marcadores:
estilo italiano
Saturday, April 16, 2005
Vô
Caros e Caras,
Paz e saúde!
- Ai…! Eu tô morrendo!
- Tá nada, vô. Sossega e deixa ler meu jornal em paz.
- Mas eu tô morrendo e você não faz nada. Fica aí lendo esse jornal que só fala de políticos comunistas e de futebol de merda, que é a única coisa que sobrou na Itália.
- Sossega…
- Ai…
- Vô, se você não sossegar eu não venho mais aqui ficar com você.
- Mas você não está comigo. Você está aí em baixo e eu, aqui em cima. Eu tô sozinho…
- ‘Cê tá precisando de alguma coisa? Quer um chá? Mais cobertas? Quer ajuda pra descer as escadas?
- Não. Eu tô quentinho embaixo das cobertas.
- Então me deixa ler.
- Me dá um pedaço desse jornal?
- Que pedaço? O que fala dos políticos comunistas ou o que fala do futebol de merda?
- Me dá um pedaço desse jornal?
- Tá bom…
- Senta aí, Marco.
- Toma. Lê sobre os eventos da semana.
- Nossa! Parece que você cresceu e engordou ainda mais.
- Vô, deixa disso! Você me viu dez minutos atrás.
- É, mas não tinha reparado. Tá parecendo um boi. Você é grande e gordo como um boi.
- Toma, lê sobre ciclismo. Você gosta de ciclismo.
- Eu também já fui grande e gordo como um boi. Hoje, pareço mais um bode.
- Você vai querer o jornal ou não?
- Só se você sentar aí na poltrona.
- Só se você deixar eu ler o jornal em paz.
- Béé…
- Quem é esse menino?
- Qual?
- Esse que está sorrindo. Não é o Armstrong. O Armstrong não sabe rir. Parece que a doença deixou ele triste.
- É o Cunego, aquele que ganhou o Giro ano passado.
- Se o Armstrong vier, ele vai ganhar. O Cipollini tá desanimado e além dele o único italiano que poderia bater o Armstrong era o Pantani. O Ulrich também pode ganhar dele, mas o Ulrich é alemão, não devia correr aqui.
- Vô, o Armstrong é americano, o Pantani era italiano e podia ganhar nos outros países. Então, o Ulrich também pode.
- Eu gostaria de ver um italiano ganhando corridas novamente. Gostaria que o futebol não monopolizasse tudo e que a Itália voltasse a ter nomes como Bartalli…
- O Cipollini deve correr…
- Todo ano o Cipollini diz que vai se aposentar e todo ano ele corre.
- É a grana que convence ele, vô.
- Porque ele não se aposenta? Será que ele vai correr até ficar velho?
- Quando ele tiver um neto ele se aposenta.
- Marco…?
- Vô…
- Porque você não põe o Filippo no ciclismo?
- O Pippo ainda é criança e ele gosta é de futebol.
- Se fosse meu filho, já estaria disputando…
- O Pippo vai ser grande como um boi, igual ao pai, ao avô e ao bisavô dele.
- Eu era grande como um boi…
- O Pippo já é um bezerro.
- Marco, ‘cê acha que o Armstrong vem?
- O Armstrong gosta de correr é o Tour de France, além do que ele tá velho.
- Velho sou eu, o Armstrong é um menino!
- Vô…!
- Eu tenho uma foto com o Bartalli. Pega meu álbum lá em baixo…?
- Vô, ‘cê decidiu que hoje eu não vou ler o jornal.
- Foi você que mandou eu ler sobre o ciclismo. E aproveita pra ver se o meu chá tá pronto.
- Que chá…?
- O que você me ofereceu. Eu não disse que não queria.
- …
- Tá aqui o álbum. Vou deixar o chá esfriando na cômoda.
- Põe um pouco de grapa que esfria mais depressa.
- Cadê a grapa?
- Tá em baixo da cama.
- Vô, ‘cê tá escondendo a grapa da vó…?
- Não. Foi ela quem colocou aí pra eu não chutar. Semana passada eu chutei a garrafa e esparramou grapa pelo quarto todo. Levou três dias pra sair o cheiro.
- Olha o que eu trouxe
- Quem fez esse queijo?
- Foi o Roberto, meu irmão.
- Então dá um pedaço grande.
- Metade?
- Metade.
- Béé…
- Béé…
Ciao.
Paz e saúde!
- Ai…! Eu tô morrendo!
- Tá nada, vô. Sossega e deixa ler meu jornal em paz.
- Mas eu tô morrendo e você não faz nada. Fica aí lendo esse jornal que só fala de políticos comunistas e de futebol de merda, que é a única coisa que sobrou na Itália.
- Sossega…
- Ai…
- Vô, se você não sossegar eu não venho mais aqui ficar com você.
- Mas você não está comigo. Você está aí em baixo e eu, aqui em cima. Eu tô sozinho…
- ‘Cê tá precisando de alguma coisa? Quer um chá? Mais cobertas? Quer ajuda pra descer as escadas?
- Não. Eu tô quentinho embaixo das cobertas.
- Então me deixa ler.
- Me dá um pedaço desse jornal?
- Que pedaço? O que fala dos políticos comunistas ou o que fala do futebol de merda?
- Me dá um pedaço desse jornal?
- Tá bom…
- Senta aí, Marco.
- Toma. Lê sobre os eventos da semana.
- Nossa! Parece que você cresceu e engordou ainda mais.
- Vô, deixa disso! Você me viu dez minutos atrás.
- É, mas não tinha reparado. Tá parecendo um boi. Você é grande e gordo como um boi.
- Toma, lê sobre ciclismo. Você gosta de ciclismo.
- Eu também já fui grande e gordo como um boi. Hoje, pareço mais um bode.
- Você vai querer o jornal ou não?
- Só se você sentar aí na poltrona.
- Só se você deixar eu ler o jornal em paz.
- Béé…
- Quem é esse menino?
- Qual?
- Esse que está sorrindo. Não é o Armstrong. O Armstrong não sabe rir. Parece que a doença deixou ele triste.
- É o Cunego, aquele que ganhou o Giro ano passado.
- Se o Armstrong vier, ele vai ganhar. O Cipollini tá desanimado e além dele o único italiano que poderia bater o Armstrong era o Pantani. O Ulrich também pode ganhar dele, mas o Ulrich é alemão, não devia correr aqui.
- Vô, o Armstrong é americano, o Pantani era italiano e podia ganhar nos outros países. Então, o Ulrich também pode.
- Eu gostaria de ver um italiano ganhando corridas novamente. Gostaria que o futebol não monopolizasse tudo e que a Itália voltasse a ter nomes como Bartalli…
- O Cipollini deve correr…
- Todo ano o Cipollini diz que vai se aposentar e todo ano ele corre.
- É a grana que convence ele, vô.
- Porque ele não se aposenta? Será que ele vai correr até ficar velho?
- Quando ele tiver um neto ele se aposenta.
- Marco…?
- Vô…
- Porque você não põe o Filippo no ciclismo?
- O Pippo ainda é criança e ele gosta é de futebol.
- Se fosse meu filho, já estaria disputando…
- O Pippo vai ser grande como um boi, igual ao pai, ao avô e ao bisavô dele.
- Eu era grande como um boi…
- O Pippo já é um bezerro.
- Marco, ‘cê acha que o Armstrong vem?
- O Armstrong gosta de correr é o Tour de France, além do que ele tá velho.
- Velho sou eu, o Armstrong é um menino!
- Vô…!
- Eu tenho uma foto com o Bartalli. Pega meu álbum lá em baixo…?
- Vô, ‘cê decidiu que hoje eu não vou ler o jornal.
- Foi você que mandou eu ler sobre o ciclismo. E aproveita pra ver se o meu chá tá pronto.
- Que chá…?
- O que você me ofereceu. Eu não disse que não queria.
- …
- Tá aqui o álbum. Vou deixar o chá esfriando na cômoda.
- Põe um pouco de grapa que esfria mais depressa.
- Cadê a grapa?
- Tá em baixo da cama.
- Vô, ‘cê tá escondendo a grapa da vó…?
- Não. Foi ela quem colocou aí pra eu não chutar. Semana passada eu chutei a garrafa e esparramou grapa pelo quarto todo. Levou três dias pra sair o cheiro.
- Olha o que eu trouxe
- Quem fez esse queijo?
- Foi o Roberto, meu irmão.
- Então dá um pedaço grande.
- Metade?
- Metade.
- Béé…
- Béé…
Ciao.
Marcadores:
personagens
Monday, April 11, 2005
Dreams
Caros e Caras,
Paz e saúde!
Pic, …pic, …pic…
Eram como gotas ocas e transparentes caindo num vazio escuro, formando, pouco a pouco, uma bolha maior. Plic, …plic, …plic… Eu desviava a atenção para outras fantasias, vozes, rostos e objetos que marcavam o meu quotidiano. Ping, …ping, …ping… Mas a idéia da bolha me voltava e percebia que o som ficava mais consiste, tornando-se uma bolha enorme e disforme, alimentada pelo ritmo constante e incessante das pequenas gotas que, uma a uma, faziam a bolha aumentar. Pling, …pling, …pling… Ela era enorme, maior que um prédio. Ploc, …ploc, …ploc… Maior que um navio. Pong, …pong, …pong… Ficava maior que o universo e não parava de crescer. Plong, …plong, …plong… Neste momento eu escolhia acordar (tinha consciência de estar dormindo) e ficava assustado. Horas tentando não dormir (pareciam horas) até ser vencido pelo sono e sonhar de novo. O pesadelo durou até que eu completasse três anos e é das poucas lembranças que tenho dos meus primeiros anos. Acho que o sonhava desde o nascimento. Mas a partir daquela festinha e do bolo em forma de navio pirata com as três velinhas – naquele tempo não existiam velas com números – que eu tinha dificuldade em mostrar com os dedos (e tenho até hoje!), o pesadelo sumiu. Ficou somente a sua lembrança, como num filme de Akira Kurosawa.
Plic, …plic, …plic…
Pouco depois aprendi a sonhar acordado e olhava o mundo como uma imensa tela à espera de ser colorida, refeita, experimentada, cancelada e novamente colorida. Sonhava com um conjuntinho de canetas hidrocor, mas ele custava muitas vezes mais que a pequena mesada recebida ocasionalmente. As canetinhas Pelikan moravam na vetrine da papelaria que ficava na praça, onde eu parava para observá-las cada vez que passava por ali. E eram muitas vezes por dia. É verdade, poderia ter economizado nas figurinhas ou bolinhas de gude. Bastaria ter evitado um pouco do amendoim japonês ou dos picolés de manga, mas tudo aquilo era urgente demais para ser deixado para depois. Afinal, a única coisa importante para uma criança é o presente, por mais que os adultos tentem ensinar o conceito de futuro.
Ping, …ping, …ping…
No início da adolescência sonhava em ter um agasalho Adidas. Aquele azul-marinho com as três listas brancas. Mas o tal agasalho custava muitas vezes mais que as canetas Pelikan. Lembro que poucos o possuíam. Os garotos e garotas do basquete, além de um ou outro do futebol de salão, e era raro ver alguém com o agasalho se não fosse dia de educação física. Quando começaram a aparecer os agasalhos de outras cores, o máximo era possuir dois de cores ou tonalidades diferentes. Sonhava em jogar basquete, mas era pequeno demais. Jogava futebol, como goleiro, mas não era lá grandes coisas. Aliás, era pequeno demais para ser goleiro. Jogava bolinha de gude, e era bom nisso! Era bom também em Geografia, História, Artes e toda matéria onde o importante era viajar com a imaginação.
Pling, …pling, …pling…
Observo minhas filhas e procuro prestar atenção aos sonhos delas. Eles não devem ser satisfeitos imediatamente, pois os sonhos perdem o encanto quando realizados. Dão mais prazer quando são uma conquista e fruto de uma espera. Às vezes são sonhos simples, como as canetinhas Pelikan, que nem existem mais. Talvez custassem muito e, por isso vendiam pouco, sei lá. Às vezes são impossíveis de realizar ou de entender, como o sonho confessado da Luiza de pular como um coelho, quando ela ainda tinha seis anos. Mas são sonhos simples, como deve ser simples para uma criança o salto de um coelho. Aprender a letra da canção do momento, ter o cartucho do game boy mais recente ou ter um gato.
Ploc, …ploc, …ploc…
A possibilidade de concretizar os próprios sonhos com uma certa facilidade pode causar frustração. A vida perde os segredos e tudo se torna uma questão de preço. Quando vejo o imenso tráfego de carros pelas estradas italianas, com placas de todos os lugares da Europa, ou o intenso vai e vem de aviões nos dois aeroportos internacionais de Milão, sem falar nos trens que estão sempre cheios, sei que muitos sonhos estão se realizando naquele momento. Muitas férias planejadas estão acontecendo. No próximo ano os sonhos serão algum outro lugar e serão realizados com a mesma simplicidade e negociação de preços. Um ano inteiro de trabalho em troca de uma semana branca (na neve, durante o inverno), uma semana de férias em casa para fazer a limpeza de primavera (explico em outra carta) e quinze dias em algum lugar sonhado e planejado por meses (e entupido de gente!).
Pong, …pong, …pong…
Que graça tem sonhar com algo que se pode alcançar?
Plong, …plong, …plong…
Hoje saio de bicicleta com meu agasalho Adidas, mas ele já não tem as três listas nem o glamour da minha adolescência. Minhas filhas têm toneladas de canetas hidrocor que usam como se fossem produtos descartáveis (e algumas o são) e os europeus viajam o mundo inteiro atrás de sonhos a realizar. O mundo mudou mas muita coisa permanece igual: ter um gato era sonho também na minha infância. Mas, pular como um coelho…
Pic, …pic, …pic…
Ciao.
Paz e saúde!
Pic, …pic, …pic…
Eram como gotas ocas e transparentes caindo num vazio escuro, formando, pouco a pouco, uma bolha maior. Plic, …plic, …plic… Eu desviava a atenção para outras fantasias, vozes, rostos e objetos que marcavam o meu quotidiano. Ping, …ping, …ping… Mas a idéia da bolha me voltava e percebia que o som ficava mais consiste, tornando-se uma bolha enorme e disforme, alimentada pelo ritmo constante e incessante das pequenas gotas que, uma a uma, faziam a bolha aumentar. Pling, …pling, …pling… Ela era enorme, maior que um prédio. Ploc, …ploc, …ploc… Maior que um navio. Pong, …pong, …pong… Ficava maior que o universo e não parava de crescer. Plong, …plong, …plong… Neste momento eu escolhia acordar (tinha consciência de estar dormindo) e ficava assustado. Horas tentando não dormir (pareciam horas) até ser vencido pelo sono e sonhar de novo. O pesadelo durou até que eu completasse três anos e é das poucas lembranças que tenho dos meus primeiros anos. Acho que o sonhava desde o nascimento. Mas a partir daquela festinha e do bolo em forma de navio pirata com as três velinhas – naquele tempo não existiam velas com números – que eu tinha dificuldade em mostrar com os dedos (e tenho até hoje!), o pesadelo sumiu. Ficou somente a sua lembrança, como num filme de Akira Kurosawa.
Plic, …plic, …plic…
Pouco depois aprendi a sonhar acordado e olhava o mundo como uma imensa tela à espera de ser colorida, refeita, experimentada, cancelada e novamente colorida. Sonhava com um conjuntinho de canetas hidrocor, mas ele custava muitas vezes mais que a pequena mesada recebida ocasionalmente. As canetinhas Pelikan moravam na vetrine da papelaria que ficava na praça, onde eu parava para observá-las cada vez que passava por ali. E eram muitas vezes por dia. É verdade, poderia ter economizado nas figurinhas ou bolinhas de gude. Bastaria ter evitado um pouco do amendoim japonês ou dos picolés de manga, mas tudo aquilo era urgente demais para ser deixado para depois. Afinal, a única coisa importante para uma criança é o presente, por mais que os adultos tentem ensinar o conceito de futuro.
Ping, …ping, …ping…
No início da adolescência sonhava em ter um agasalho Adidas. Aquele azul-marinho com as três listas brancas. Mas o tal agasalho custava muitas vezes mais que as canetas Pelikan. Lembro que poucos o possuíam. Os garotos e garotas do basquete, além de um ou outro do futebol de salão, e era raro ver alguém com o agasalho se não fosse dia de educação física. Quando começaram a aparecer os agasalhos de outras cores, o máximo era possuir dois de cores ou tonalidades diferentes. Sonhava em jogar basquete, mas era pequeno demais. Jogava futebol, como goleiro, mas não era lá grandes coisas. Aliás, era pequeno demais para ser goleiro. Jogava bolinha de gude, e era bom nisso! Era bom também em Geografia, História, Artes e toda matéria onde o importante era viajar com a imaginação.
Pling, …pling, …pling…
Observo minhas filhas e procuro prestar atenção aos sonhos delas. Eles não devem ser satisfeitos imediatamente, pois os sonhos perdem o encanto quando realizados. Dão mais prazer quando são uma conquista e fruto de uma espera. Às vezes são sonhos simples, como as canetinhas Pelikan, que nem existem mais. Talvez custassem muito e, por isso vendiam pouco, sei lá. Às vezes são impossíveis de realizar ou de entender, como o sonho confessado da Luiza de pular como um coelho, quando ela ainda tinha seis anos. Mas são sonhos simples, como deve ser simples para uma criança o salto de um coelho. Aprender a letra da canção do momento, ter o cartucho do game boy mais recente ou ter um gato.
Ploc, …ploc, …ploc…
A possibilidade de concretizar os próprios sonhos com uma certa facilidade pode causar frustração. A vida perde os segredos e tudo se torna uma questão de preço. Quando vejo o imenso tráfego de carros pelas estradas italianas, com placas de todos os lugares da Europa, ou o intenso vai e vem de aviões nos dois aeroportos internacionais de Milão, sem falar nos trens que estão sempre cheios, sei que muitos sonhos estão se realizando naquele momento. Muitas férias planejadas estão acontecendo. No próximo ano os sonhos serão algum outro lugar e serão realizados com a mesma simplicidade e negociação de preços. Um ano inteiro de trabalho em troca de uma semana branca (na neve, durante o inverno), uma semana de férias em casa para fazer a limpeza de primavera (explico em outra carta) e quinze dias em algum lugar sonhado e planejado por meses (e entupido de gente!).
Pong, …pong, …pong…
Que graça tem sonhar com algo que se pode alcançar?
Plong, …plong, …plong…
Hoje saio de bicicleta com meu agasalho Adidas, mas ele já não tem as três listas nem o glamour da minha adolescência. Minhas filhas têm toneladas de canetas hidrocor que usam como se fossem produtos descartáveis (e algumas o são) e os europeus viajam o mundo inteiro atrás de sonhos a realizar. O mundo mudou mas muita coisa permanece igual: ter um gato era sonho também na minha infância. Mas, pular como um coelho…
Pic, …pic, …pic…
Ciao.
Marcadores:
eu mesmo
Monday, April 04, 2005
Que Horas São?
Caros e Caras,
Paz e saúde!
O argentino Julio Cortazar, num de seus surrealísticos contos, colocou uma alucinação fantasiosa na mente de um motociclista. O personagem vivia ora num passado de magos e sacrifícios macabros, envolvido com um inseto gigante, ora no seu mundo real, onde ele pilotava não o inseto, mas a motocicleta. A cena se alterna até o ponto em que a alucinação toma conta do presente e a moto passa a ser um sonho estranho, uma premonição de uma vida futura do personagem.
No último domingo de março iniciou o horário de verão europeu, adotado desde a década de sessenta e que vai de abril a outubro. Na Itália chama-se hora legal, para diferenciar daquela outra, a hora solar. O fuso horário entre Brasil e Itália se alonga em duas horas por causa do fim do horário de verão brasileiro. A diferença, agora, é de cinco horas. Por um período do ano, tenho a ilusão de estar menos longe de casa. Com o fim do horário solar, retomo a consciência da distância que nos separa. Mas só na distância, pois esse país mostra, cada vez mais, semelhanças com os costumes que cultivei por anos e com as ladainhas que sempre ouvi.
Muda a página. Os jornais italianos só falam da morte do Papa, de crise, violência e futebol. E política. Aqui, tudo acaba em pizza. Ou em macarrão com abobrinha. Alguém tem uma receita aí?
Zapping. Confiro o bolso. Por mais absurdo que possa parecer, não existe a nota de um euro. Quando da criação da nova moeda, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu evitar desperdícios e projetou a primeira nota com o valor de cinco euros. Ocorre que os europeus estavam habituados a dar pouco valor às moedas, e os motivos para decorar as moedas que deviam ser cunhadas anualmente haviam-se esgotados. Uma necessidade européia que se auto-alimentava: a cada novo evento surgia uma moeda comemorativa (tinha moeda comemorativa até de campeonato de capucheta, aquela pipa feita com folha de caderno!) e a cada lançamento os europeus saíam ávidos à caça das novas moedas para colecioná-las. E, com isso, nova necessidade de cunhar mais moedas…
A realidade dos últimos anos mostrou que tudo o que custa menos de cinco euros parece barato. País com alto índice de longevidade, a Itália descobriu que a parcela idosa da população tem grande dificuldade em lidar com a nova moeda, sendo facilmente ludibriada. Comerciantes espertalhões também se aproveitaram do excesso de confiança dos menos idosos. Um dos efeitos da chegada do euro foi a opção da parte de alguns comerciantes por uma conversão muito particular (não de tudo desconhecida por quem viveu a era do Real), em que mil liras se transformaram em um euro. Um aumento de quase cem por cento, pois um euro equivale a 1.936,27 liras italianas! Como a nova moeda foi introduzida pelo BCE mas (aviso: gargalhar nesse momento é pecado!) o controle da inflação é feito por índices particulares de cada país, fica difícil estabelecer um índice de inflação confiável. Na Itália, por exemplo, o cálculo da inflação contempla fatores como o preço de uma corrida de táxi e tinta para impressoras de computador, como se esses produtos fizessem parte das necessidades básicas de uma família média italiana. Só como exemplo: antes da entrada do euro fui a uma loja de eletrodomésticos pesquisar o preço de um fone de ouvido sem fio, que permite assistir tv na cama sem incomodar o outro (no caso, o outro sou eu). Custava 49.000 liras. Achei caro, não comprei. Em janeiro deste ano, após o Natal, quando os preços caem, voltei à mesma loja para, novamente, curiosar preços e vi o mesmo fone de ouvido por 54,00 euros. Isso num país que tem uma inflação anual oficial próxima aos três por cento. Façam as contas.
Controlo o calendário. Perdeu a graça a capacidade dos meteorologistas italianos errarem todas, como os nossos. A primavera continua tímida, permitindo o alongamento do inverno e o risinho irônico do sujeito no bar, cada vez que saio para fumar o meu charuto sem um capote pesado. Algumas tulipas já deram o ar da graça, mas foram dizimadas pelo frio que vai e vem. O sol nasce por volta das seis, mas ninguém sai de casa nessa hora por causa do frio. Sou a única testemunha do vazio das ruas. Eu e minha bicicleta, que os policiais em ronda observam com um olhar desconsolado e um balançar de cabeça, dentro das viaturas aquecidas. Os meteorologistas mostram mapas, movimentos das nuvens e das massas de ar quente e garantem chuva, mas o sol aparece e permanece. Junto com o frio.
A agonia e morte do Papa, num mundo organizado e regido por normas católicas e explorado pela televisão, tem contribuído para aumentar a sensação de fim de século, de confusão, como quem vai para casa depois de assistir um empate de zero a zero. Não católicos permanecem num silêncio respeitoso, cultivando a paciência de quem conhece o momento justo de calar.
Bocejo. Há um ano, o senador Umberto Bossi saiu do coma induzido por causa do terceiro infarto. Mesmo assim, manteve-se caldo, convalescendo, o que tem colaborado para a redução do besteirol típico da política italiana. Mas o primeiro-ministro Silvio Berlusconi ocupa todos os espaços vagos para informar que a Itália está no caminho certo, que a economia vai bem, o índice de desemprego tem diminuído e os salários aumentado. E para que tudo isso continue indo bem, basta ele ser reeleito.
Clic. É por essas e por outras que, às vezes tenho a sensação de estar dentro do conto do Cortazar, ora na moto européia, ora com o inseto brasileiro. Vou tomar outra cerveja.
Ciao.
Paz e saúde!
O argentino Julio Cortazar, num de seus surrealísticos contos, colocou uma alucinação fantasiosa na mente de um motociclista. O personagem vivia ora num passado de magos e sacrifícios macabros, envolvido com um inseto gigante, ora no seu mundo real, onde ele pilotava não o inseto, mas a motocicleta. A cena se alterna até o ponto em que a alucinação toma conta do presente e a moto passa a ser um sonho estranho, uma premonição de uma vida futura do personagem.
No último domingo de março iniciou o horário de verão europeu, adotado desde a década de sessenta e que vai de abril a outubro. Na Itália chama-se hora legal, para diferenciar daquela outra, a hora solar. O fuso horário entre Brasil e Itália se alonga em duas horas por causa do fim do horário de verão brasileiro. A diferença, agora, é de cinco horas. Por um período do ano, tenho a ilusão de estar menos longe de casa. Com o fim do horário solar, retomo a consciência da distância que nos separa. Mas só na distância, pois esse país mostra, cada vez mais, semelhanças com os costumes que cultivei por anos e com as ladainhas que sempre ouvi.
Muda a página. Os jornais italianos só falam da morte do Papa, de crise, violência e futebol. E política. Aqui, tudo acaba em pizza. Ou em macarrão com abobrinha. Alguém tem uma receita aí?
Zapping. Confiro o bolso. Por mais absurdo que possa parecer, não existe a nota de um euro. Quando da criação da nova moeda, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu evitar desperdícios e projetou a primeira nota com o valor de cinco euros. Ocorre que os europeus estavam habituados a dar pouco valor às moedas, e os motivos para decorar as moedas que deviam ser cunhadas anualmente haviam-se esgotados. Uma necessidade européia que se auto-alimentava: a cada novo evento surgia uma moeda comemorativa (tinha moeda comemorativa até de campeonato de capucheta, aquela pipa feita com folha de caderno!) e a cada lançamento os europeus saíam ávidos à caça das novas moedas para colecioná-las. E, com isso, nova necessidade de cunhar mais moedas…
A realidade dos últimos anos mostrou que tudo o que custa menos de cinco euros parece barato. País com alto índice de longevidade, a Itália descobriu que a parcela idosa da população tem grande dificuldade em lidar com a nova moeda, sendo facilmente ludibriada. Comerciantes espertalhões também se aproveitaram do excesso de confiança dos menos idosos. Um dos efeitos da chegada do euro foi a opção da parte de alguns comerciantes por uma conversão muito particular (não de tudo desconhecida por quem viveu a era do Real), em que mil liras se transformaram em um euro. Um aumento de quase cem por cento, pois um euro equivale a 1.936,27 liras italianas! Como a nova moeda foi introduzida pelo BCE mas (aviso: gargalhar nesse momento é pecado!) o controle da inflação é feito por índices particulares de cada país, fica difícil estabelecer um índice de inflação confiável. Na Itália, por exemplo, o cálculo da inflação contempla fatores como o preço de uma corrida de táxi e tinta para impressoras de computador, como se esses produtos fizessem parte das necessidades básicas de uma família média italiana. Só como exemplo: antes da entrada do euro fui a uma loja de eletrodomésticos pesquisar o preço de um fone de ouvido sem fio, que permite assistir tv na cama sem incomodar o outro (no caso, o outro sou eu). Custava 49.000 liras. Achei caro, não comprei. Em janeiro deste ano, após o Natal, quando os preços caem, voltei à mesma loja para, novamente, curiosar preços e vi o mesmo fone de ouvido por 54,00 euros. Isso num país que tem uma inflação anual oficial próxima aos três por cento. Façam as contas.
Controlo o calendário. Perdeu a graça a capacidade dos meteorologistas italianos errarem todas, como os nossos. A primavera continua tímida, permitindo o alongamento do inverno e o risinho irônico do sujeito no bar, cada vez que saio para fumar o meu charuto sem um capote pesado. Algumas tulipas já deram o ar da graça, mas foram dizimadas pelo frio que vai e vem. O sol nasce por volta das seis, mas ninguém sai de casa nessa hora por causa do frio. Sou a única testemunha do vazio das ruas. Eu e minha bicicleta, que os policiais em ronda observam com um olhar desconsolado e um balançar de cabeça, dentro das viaturas aquecidas. Os meteorologistas mostram mapas, movimentos das nuvens e das massas de ar quente e garantem chuva, mas o sol aparece e permanece. Junto com o frio.
A agonia e morte do Papa, num mundo organizado e regido por normas católicas e explorado pela televisão, tem contribuído para aumentar a sensação de fim de século, de confusão, como quem vai para casa depois de assistir um empate de zero a zero. Não católicos permanecem num silêncio respeitoso, cultivando a paciência de quem conhece o momento justo de calar.
Bocejo. Há um ano, o senador Umberto Bossi saiu do coma induzido por causa do terceiro infarto. Mesmo assim, manteve-se caldo, convalescendo, o que tem colaborado para a redução do besteirol típico da política italiana. Mas o primeiro-ministro Silvio Berlusconi ocupa todos os espaços vagos para informar que a Itália está no caminho certo, que a economia vai bem, o índice de desemprego tem diminuído e os salários aumentado. E para que tudo isso continue indo bem, basta ele ser reeleito.
Clic. É por essas e por outras que, às vezes tenho a sensação de estar dentro do conto do Cortazar, ora na moto européia, ora com o inseto brasileiro. Vou tomar outra cerveja.
Ciao.
Marcadores:
notícias
Friday, April 01, 2005
Blogs Chineses
Caros e Caras,
Paz e saúde!
Notícia do Corriere Della Sera de ontem, quinta-feira, 31 de março:
John Pasden, um americano de 26 anos que vive em Xangai, lançou, há um ano, a campanha “Adote Um Blog”. O objetivo é ajudar blogs incômodos ao governo chinês, reproduzindo-os e hospedando-os em fornecedores fora do alcance das autoridades locais. São 94 milhões de usuários conectados à internet na China. Recentemente o governo chinês fechou 1600 net cafés e suspendeu temporariamente a atividade de outros 16000 em toda a China.
No blog, John Pasden conta sobre os cinco anos vividos no país. É um blog comum, de um jovem comum. Poderia ser um italiano ou um brasileiro. Mas, não. É John Pasden.
Ciao.
Paz e saúde!
Notícia do Corriere Della Sera de ontem, quinta-feira, 31 de março:
John Pasden, um americano de 26 anos que vive em Xangai, lançou, há um ano, a campanha “Adote Um Blog”. O objetivo é ajudar blogs incômodos ao governo chinês, reproduzindo-os e hospedando-os em fornecedores fora do alcance das autoridades locais. São 94 milhões de usuários conectados à internet na China. Recentemente o governo chinês fechou 1600 net cafés e suspendeu temporariamente a atividade de outros 16000 em toda a China.
No blog, John Pasden conta sobre os cinco anos vividos no país. É um blog comum, de um jovem comum. Poderia ser um italiano ou um brasileiro. Mas, não. É John Pasden.
Ciao.
Marcadores:
notícias
Subscribe to:
Posts (Atom)